O setor de serviços mantém papel importante no crescimento da economia brasileira. Em abril de 2026, o volume de serviços avançou 1,2% em relação a março, recuperando a queda registrada no mês anterior. No acumulado de janeiro a abril, a expansão chegou a 2,2%. Nos últimos 12 meses, o crescimento alcançou 2,9%.
Os resultados mostram a capacidade do setor de sustentar a atividade econômica, gerar empregos e movimentar a renda das famílias. Apesar do desempenho positivo, a manutenção dos juros elevados e a confiança ainda baixa dos empresários exigem atenção nos próximos meses.
Os dados fazem parte de levantamento apresentado na Nota Econômica Semanal, que reúne informações da Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE, e da Sondagem de Serviços, da FGV IBRE.
Serviços acumulam alta de 2,2% em 2026
A receita nominal do setor também apresentou crescimento. Em abril, avançou 1,5% na comparação mensal e 8,1% em relação ao mesmo mês de 2025.
Confira os principais indicadores:
| Período | Volume de serviços | Receita nominal |
|---|---|---|
| Abril/26 sobre março/26 | 1,2% | 1,5% |
| Abril/26 sobre abril/25 | 1,9% | 8,1% |
| Acumulado de janeiro a abril | 2,2% | 7,2% |
| Acumulado em 12 meses | 2,9% | 7,5% |
Fonte: Pesquisa Mensal de Serviços – IBGE.
A diferença entre o crescimento do volume e da receita nominal merece atenção. Enquanto o primeiro indicador mede a expansão efetiva da atividade, o segundo também incorpora os efeitos dos preços. Portanto, o avanço da receita não representa, necessariamente, aumento equivalente na quantidade de serviços prestados.
Tecnologia e serviços às famílias lideram os avanços
Os cinco grandes segmentos pesquisados pelo IBGE apresentaram crescimento em abril. Alguns setores tiveram resultados mais expressivos:
- Outros serviços: alta de 2,2%;
- Serviços prestados às famílias: alta de 1,4%;
- Transportes: alta de 0,9%;
- Informação e comunicação: alta de 0,5%;
- Serviços profissionais e administrativos: alta de 0,4%.
A tecnologia também merece destaque. O segmento de informação e comunicação acumulou crescimento de 6,4%, enquanto os serviços de tecnologia da informação avançaram quase 10%.
Esses resultados refletem a ampliação dos investimentos em digitalização, inovação e transformação tecnológica. Empresas de diferentes setores buscam soluções para melhorar processos, reduzir custos e aumentar a produtividade.
Crescimento dos serviços favorece emprego e renda
O desempenho do setor tem reflexos diretos no mercado de trabalho. Como reúne atividades intensivas em mão de obra, a expansão dos serviços pode estimular contratações e ampliar a renda das famílias.
Alimentação, transportes, tecnologia, serviços empresariais e atividades voltadas ao consumidor estão entre os segmentos que contribuem para esse movimento.
Para Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), acompanhar o desempenho dos serviços é fundamental para compreender a dinâmica da economia brasileira.
O setor tem participação expressiva no PIB e influencia diretamente o consumo, o emprego e a circulação de renda. Por isso, sua capacidade de crescimento também ajuda a determinar o ritmo da atividade econômica nacional.
Confiança empresarial ainda preocupa
Apesar dos resultados positivos, os empresários mantêm cautela em relação aos próximos meses.
Em junho de 2026, o Índice de Confiança de Serviços da FGV chegou a 90,8 pontos, registrando a segunda alta consecutiva. A melhora das expectativas contribuiu para esse avanço.
O indicador, porém, permanece abaixo de 100 pontos, patamar que representa a neutralidade da confiança empresarial.
Esse resultado mostra que os empresários ainda enxergam obstáculos para ampliar seus negócios. Entre os fatores que influenciam as decisões estão:
- Juros elevados e custo do crédito;
- Endividamento das famílias;
- Limitações do consumo interno;
- Incertezas no cenário econômico internacional.
A recuperação da confiança depende de condições que favoreçam o consumo e os investimentos. Sem esses fatores, o crescimento dos serviços pode perder força.
O que esperar do setor de serviços no segundo semestre?
As perspectivas apontam para a continuidade do crescimento econômico, mas em ritmo moderado. A tecnologia, a comunicação e os serviços prestados às famílias devem continuar entre os principais motores da atividade.
A política monetária terá papel importante nesse cenário. Juros elevados encarecem o crédito, limitam o consumo e dificultam os investimentos empresariais.
A recuperação da renda e a redução do endividamento das famílias também podem ampliar a demanda por serviços.
Para o Brasil, o desafio consiste em transformar o crescimento atual em expansão sustentável, com ganhos de produtividade, geração de empregos e fortalecimento dos negócios.
O setor de serviços já demonstra capacidade de impulsionar a economia. Agora, a continuidade desse movimento dependerá de melhores condições de crédito, confiança empresarial e poder de compra da população.
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