Aconteceu nesta sexta (14) a solenidade que marcou os 75 anos da regulamentação da profissão para os economistas no Brasil, comemorado no último dia 13 de agosto.
O evento foi realizado no auditório André Franco Montoro, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Durante o encontro, que reuniu lideranças políticas e da classe para debater o papel estratégico dos economistas na construção do país, a “história, o futuro e a responsabilidade” da categoria foram destaques de quase todas as falas.
Integração entre Poder Público e Economistas
A iniciativa da sessão solene foi da Deputada Carla Morando (PSD-SP), coordenadora da Frente Parlamentar do Desenvolvimento Econômico, da Indústria e do Comércio do Estado. A necessidade de estreitar os laços entre a Alesp e os economistas foi destacada pela parlamentar, que ressaltou a importância do diálogo técnico no processo legislativo.
Segundo a parlamentar, “políticas públicas de qualidade são formuladas a partir da escuta ativa de profissionais dedicados ao desenvolvimento econômico”. A colaboração técnica, nesse sentido, é considerada um pilar fundamental para o avanço das diretrizes que impactam diretamente a sociedade brasileira.
“Políticas públicas de qualidade não são feitas sozinhas, mas sim dando ouvidos a quem estuda, se dedica e trabalha em prol do desenvolvimento da economia no Brasil”, ressaltou a deputada.
Compromisso com a Ciência e as Instituições
O compromisso da economia com a soberania nacional e o Estado de Direito foi centro da fala do presidente do Corecon-SP, Haroldo da Silva. A trajetória histórica da profissão também foi destacada pelo dirigente, que reforçou a natureza da economia como uma ciência de escolhas.
De acordo com Haroldo, a implementação de políticas públicas eficientes é assegurada apenas quando análises econômicas rigorosas são realizadas.
“Completar 75 anos é olhar para trás. A economia é uma ciência de escolhas, por isso boas políticas precisam de boas análises econômicas”, ressaltou o dirigente.
Outro ponto destacado por ele é o trabalho contínuo realizado pelo Conselho Regional, em parceria com a Confederação e os Sindicatos, na criação de estratégias voltadas à ampliação da empregabilidade dos economistas tanto no setor público quanto no setor privado em todo o território nacional.
O Legado do Sindecon-SP e o Papel Social da Economia
Já o presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, Carlos Eduardo Oliveira Jr., lembrou dos desafios e avanços da categoria. Durante seu discurso, ele trouxe o papel histórico do Sindicato, fundado em 1935 — sendo a entidade mais antiga da profissão no Brasil — e salientou que mesmo antes da regulamentação da profissão em 1951, a defesa do economista como agente indispensável já era protagonizada pelo Sindecon-SP.
A visão de que a economia transcende planilhas e índices também foi defendida pelo presidente. “Embora indicadores sejam vitais”, o foco do trabalho econômico deve recair sobre o bem-estar das pessoas. A geração de empregos e o aumento da qualidade de vida das famílias devem ser o norte por trás de cada análise realizada pela economia.
Inclusão e Diversidade como Motores de Desenvolvimento
Um ponto central na fala do presidente do Sindecon-SP foi a necessidade de quebrar paradigmas de classe, gênero e raça na profissão. Segundo Carlos, “a construção de um país onde o talento seja valorizado acima da origem social é um objetivo”.
Por fim, a diversidade foi apresentada não apenas como um imperativo ético, mas como uma força motriz para o desenvolvimento econômico.
Para o presidente, a maior presença de negros, negras e mulheres nos espaços de decisão e produção de conhecimento é essencial para corrigir distorções históricas.
Para o presidente, a maior presença de negros, negras e mulheres nos espaços de decisão e produção de conhecimento é essencial para corrigir distorções históricas.
Sociedades inclusivas são tidas como mais inovadoras e dinâmicas, sendo, portanto, mais capazes de gerar prosperidade compartilhada. A pluralidade de perspectivas, ao final, é o que torna as análises econômicas mais eficientes e conectadas à realidade da população brasileira.
“Precisamos ampliar cada vez mais a presença de negros e negras e mulheres nos espaços de decisão, nas universidades, nos centros de pesquisa, nas instituições financeiras, nos órgãos públicos e na própria profissão de economista. A pluralidade de experiências e de perspectivas fortalece a qualidade das análises econômicas e contribui para a formulação de políticas mais eficientes e mais conectadas com a realidade da população brasileira. Como economistas, temos a responsabilidade de defender um crescimento que reduza desigualdades, amplie oportunidades e garanta dignidade para todos”, concluiu Carlos.
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