Nota econômica aponta que segmento responde por 62% das vagas formais criadas no ano, enquanto economia apresenta sinais de desaceleração.
O setor de serviços segue como o principal responsável pela geração de empregos formais no Brasil. Dados do Novo Caged mostram que, em junho de 2026, o segmento criou 74.514 postos de trabalho, o equivalente a 51% das vagas abertas no mês. No acumulado do ano, os serviços já somam 571.926 empregos formais, representando 62% de todas as contratações registradas no país.
A análise integra a mais recente Nota Econômica elaborada pelo economista Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP). Segundo ele, os números confirmam a força do setor de serviços, mas também revelam que a economia brasileira começa a apresentar um ritmo menor de expansão em razão dos juros elevados e do cenário internacional mais incerto.
Serviços mantêm liderança na criação de empregos
O desempenho dos serviços reforça sua posição como principal empregador da economia brasileira. Além de representar mais de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB), o setor concentra a maior parcela da mão de obra ocupada no país.
Para Carlos Eduardo, essa liderança ganha ainda mais relevância em um momento em que outros segmentos apresentam menor dinamismo. A Nota destaca que o setor funciona como um importante sustentáculo do mercado de trabalho, compensando parte da desaceleração observada em áreas mais dependentes do crédito e dos investimentos.
Informação e serviços empresariais impulsionam contratações
Entre as atividades que mais contribuíram para a geração de empregos em junho estão os segmentos de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com saldo de 33.555 vagas.
Também apresentaram resultados positivos os setores de transporte, armazenagem e correio, com 16.217 postos, e a administração pública, responsável por 13.930 novas contratações.
Ainda de acordo com a Nota Econômica, esses resultados refletem o avanço de atividades ligadas aos serviços empresariais e ao processo de modernização da economia brasileira. Ao mesmo tempo, segmentos mais tradicionais, como alojamento, alimentação e serviços domésticos, cresceram em ritmo mais moderado, evidenciando mudanças na composição do mercado de trabalho.
Juros elevados reduzem o ritmo da economia
Apesar da forte geração de empregos, o documento identifica sinais de desaceleração da atividade econômica.
De acordo com o presidente do Sindecon-SP, a manutenção da taxa Selic em patamar elevado encarece o crédito, reduz o consumo das famílias e limita novos investimentos das empresas. Como consequência, o mercado de trabalho continua aquecido, mas passa a criar vagas em um ritmo mais moderado.
Esse cenário explica por que o desemprego permanece em níveis historicamente baixos enquanto o crescimento das contratações formais perde intensidade.
Renda continua sustentando o consumo
Outro dado destacado pela Nota Econômica é a evolução da renda dos trabalhadores.
O rendimento médio real alcançou R$ 3.738, alta de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025. Já a massa de rendimento real chegou a R$ 380,3 bilhões, crescimento anual de 3,6%.
Embora esses indicadores continuem sustentando o consumo das famílias, o avanço mais moderado da renda sugere que a atividade econômica poderá crescer em ritmo menor durante o segundo semestre.
Serviços seguem estratégicos para a economia
Na sua análise, A Nota também mostra que a taxa de desocupação recuou para 5,4% no trimestre encerrado em junho, enquanto a taxa de subutilização ficou em 12,9%. Os indicadores confirmam que o mercado de trabalho continua absorvendo mão de obra, mesmo diante da desaceleração econômica.
Na avaliação de Carlos Eduardo, o setor de serviços continuará desempenhando papel central nos próximos meses. A expectativa é que a geração de empregos permaneça positiva, ainda que em ritmo inferior ao observado no início do ano.
Segundo a Nota, os serviços devem seguir como principal sustentáculo da ocupação, da renda e da atividade econômica brasileira ao longo do segundo semestre.
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