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Serviços sustentam crescimento da economia brasileira em 2026 enquanto consumo segue cauteloso
O setor de serviços lidera a atividade econômica no início do ano, enquanto o comércio varejista avança de forma mais limitada diante de juros elevados e do endividamento das famílias.
A economia brasileira iniciou 2026 em ritmo de crescimento moderado, com destaque para o desempenho do setor de serviços, que continua sendo o principal motor da atividade econômica.
Dados recentes da Pesquisa Mensal de Serviços e da Pesquisa Mensal do Comércio mostram que, enquanto os serviços avançam de forma consistente, o consumo das famílias ainda enfrenta restrições importantes.
Setor de serviços mantém crescimento e atinge nível recorde
O setor de serviços registrou crescimento de 0,3% em janeiro de 2026 na comparação com dezembro, alcançando o maior nível da série histórica. Em relação ao mesmo mês de 2025, a alta foi de 3,3%, com avanço acumulado de 3,0% nos últimos 12 meses.
Esse desempenho reflete não apenas fatores conjunturais, mas também mudanças estruturais na economia brasileira. Segmentos intensivos em tecnologia e conhecimento, como serviços de informação, atividades profissionais, administrativas e de apoio empresarial, têm liderado o crescimento.
Ao mesmo tempo, áreas como logística e serviços financeiros seguem em expansão, impulsionadas pela digitalização e pela maior complexidade das operações empresariais.
Esse perfil torna o setor de serviços menos sensível às oscilações da taxa de juros e ao crédito ao consumidor, o que ajuda a explicar sua resiliência mesmo em um cenário de política monetária restritiva.
Comércio varejista cresce, mas consumo das famílias segue limitado
O comércio varejista apresentou crescimento de 0,4% na comparação mensal e de 2,8% em relação a janeiro de 2025. Já o varejo ampliado avançou 0,9% no mês, mas permanece estável no acumulado de 12 meses.
Apesar da melhora, o consumo das famílias ainda demonstra cautela. As vendas continuam concentradas em bens essenciais, como alimentos, produtos farmacêuticos e itens de uso pessoal. Esse comportamento está associado ao elevado custo do crédito, ao nível de endividamento e à perda de dinamismo da renda real.
Como resultado, setores mais sensíveis ao ciclo econômico, como veículos, materiais de construção e bens duráveis, seguem apresentando desempenho mais fraco, especialmente em análises de médio prazo.
Economia brasileira cresce com base nos serviços, mas enfrenta desafios
Os dados indicam que a economia brasileira mantém um crescimento sustentado, porém sem aceleração significativa. O protagonismo do setor de serviços contribui para reduzir pressões inflacionárias no curto prazo, mas também evidencia a dependência de uma recuperação mais consistente do consumo.
Para o presidente do Sindecon-SP, Carlos Eduardo Oliveira Jr., o cenário exige atenção à evolução do crédito e da confiança das famílias. Segundo ele, o desempenho consistente do setor de serviços demonstra que há bases estruturais importantes sustentando a economia.
No entanto, o crescimento mais robusto depende diretamente da recuperação do consumo das famílias e de melhores condições financeiras.
Perspectivas para a economia em 2026
O início de 2026 reforça um cenário de transição na economia brasileira. De um lado, observa-se maior dinamismo em setores modernos e menos dependentes do crédito. De outro, o consumo das famílias ainda enfrenta limitações que impedem uma expansão mais acelerada da atividade econômica.
O ritmo de crescimento ao longo do ano estará condicionado à evolução da taxa de juros, à melhora da renda real, à redução do endividamento das famílias e ao aumento da confiança do consumidor.
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