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MERCADO DE TRABALHO FORMAL CRESCE EM 2025 E CONSOLIDA O SETOR DE SERVIÇOS COMO PILAR DA ECONOMIA
O mercado de trabalho formal brasileiro encerrou 2025 com desempenho robusto, mesmo em um cenário de desaceleração econômica moderada e política monetária restritiva. Dados do Novo Caged indicam a criação líquida de 1,2 milhão de empregos com carteira assinada, elevando o estoque total de vínculos formais para 48,47 milhões.
O grande destaque do período foi novamente o setor de serviços, responsável por mais de 758 mil novas vagas, o equivalente a 59% de todo o emprego formal gerado no país em 2025.
O desempenho confirma o papel central do setor na sustentação da atividade econômica e da renda das famílias brasileiras.
SERVIÇOS LIDERAM A GERAÇÃO DE EMPREGOS
A expansão do emprego formal não foi homogênea entre os setores. Além dos serviços, o comércio respondeu por 19% das novas vagas, a indústria geral por 11%, a construção civil por 7% e a agropecuária por 3%.
Dentro do setor de serviços, os saldos positivos se concentraram principalmente em:
- Informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+318.460 vagas);
- Transporte, armazenagem e correio (+94.495);
- Alojamento e alimentação (+74.138);
- Outros serviços (+76.188);
- Administração pública (+194.903).
Esse desempenho reflete tanto fatores estruturais, como a crescente participação de atividades intensivas em mão de obra, quanto fatores conjunturais, como a recomposição do consumo presencial, o fortalecimento do mercado interno e a demanda por serviços urbanos.
IMPACTOS SOBRE RENDA, CONSUMO E ATIVIDADE ECONÔMICA
O avanço do emprego formal tem efeito direto sobre a massa salarial, ampliando a renda disponível das famílias e sustentando o consumo corrente.
No caso dos serviços, essa relação é ainda mais intensa, já que a demanda do setor depende fortemente da renda do trabalho.
Segundo Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindecon-SP, o resultado reforça o papel estratégico dos serviços na economia brasileira.
“O mercado de trabalho formal segue sendo um dos principais vetores de sustentação da atividade econômica, especialmente em um contexto de juros elevados, que restringem investimento e crédito”, afirma.
O aumento do emprego impulsiona segmentos como restaurantes, transporte por aplicativo, serviços pessoais, turismo interno, educação privada e saúde suplementar, criando um ciclo de retroalimentação positiva entre renda, consumo e nível de atividade.
DESAFIOS PARA A POLÍTICA MONETÁRIA
Apesar do efeito positivo sobre crescimento e ocupação, o dinamismo do mercado de trabalho, especialmente nos serviços, traz desafios relevantes para a política monetária.
O Caged é acompanhado de perto pelo Banco Central, pois indica o grau de aperto ou folga do mercado de trabalho.
Um ritmo persistente de criação de vagas no setor de serviços pode limitar cortes mais acelerados na taxa básica de juros, ao reforçar pressões inflacionárias de natureza estrutural, especialmente sobre preços de serviços, que tendem a ser mais rígidos.
O presidente Carlos ressalta que, embora fatores externos como o chamado “tarifaço” tenham impactado segmentos pontuais, o efeito dos juros elevados é mais abrangente.
“Do ponto de vista global da economia, o custo do dinheiro elevado é mais danoso, porque afeta crédito, investimento e, mais à frente, a própria dinâmica do emprego”, avalia.
CRESCIMENTO COM EQUILÍBRIO: O DESAFIO À FRENTE
Os dados de 2025 confirmam que o mercado de trabalho formal continua desempenhando papel central na economia brasileira, com protagonismo do setor de serviços. Ao mesmo tempo, o cenário impõe um desafio complexo: conciliar geração de empregos, controle da inflação, especialmente a de serviços, e crescimento sustentável.
Para os próximos períodos, o equilíbrio entre esses vetores seguirá no centro do debate econômico, exigindo coordenação entre política monetária, dinâmica do mercado interno e estratégias de desenvolvimento setorial.
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