O setor de serviços começa a mostrar sinais de perda de ritmo na economia brasileira. Os dados mais recentes apontam estabilidade no volume de serviços em junho e crescimento moderado na comparação anual. Ao mesmo tempo, a confiança do setor recuou em julho, indicando maior cautela das empresas para os próximos meses.
Segundo análise da Assessoria Econômica, assinada pelo economista Carlos Eduardo Oliveira Jr., o cenário aponta para uma economia que continua crescendo, mas em ritmo mais moderado no segundo semestre de 2026.
Setor de serviços mantém crescimento, mas perde força
A Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE mostra que o volume de serviços ficou estável em junho, sem crescimento na comparação com maio. Na comparação com junho de 2025, o setor avançou 2%.
No acumulado de janeiro a junho, o volume de serviços também cresceu 2%. Em 12 meses, a alta chegou a 2,6%.
A receita nominal apresentou desempenho mais forte. O indicador cresceu 0,3% na comparação mensal, avançou 8,6% em relação a junho de 2025 e acumulou alta de 7,6% no primeiro semestre. Em 12 meses, a receita nominal aumentou 7,5%.
Os números mostram uma diferença importante entre receita e volume. O faturamento cresce em ritmo maior, enquanto a quantidade de serviços prestados avança de forma mais contida. Esse movimento merece atenção porque pode indicar uma economia com menor expansão da demanda.
Tecnologia e serviços digitais se destacam
O desempenho dos diferentes segmentos não ocorre de forma uniforme.
O setor de informação e comunicação apresentou crescimento de 9,4% na comparação anual. Tecnologia da informação, telecomunicações e serviços digitais estão entre os principais responsáveis pelo resultado positivo.
Em sentido contrário, transportes recuaram 2,6% e turismo caiu 5,3% no período. A diferença reforça a existência de uma economia mais dividida entre atividades resilientes e segmentos mais sensíveis às condições de crédito, renda e consumo.
Confiança das empresas recua
O comportamento da confiança empresarial reforça o sinal de cautela.
Em julho, o Índice de Confiança de Serviços (ICS), da FGV, caiu 3 pontos e chegou a 87,8 pontos. A queda atingiu tanto a percepção sobre a situação atual quanto as expectativas para os próximos meses, com destaque para a piora na avaliação da demanda futura.
A confiança funciona como um indicador importante para acompanhar decisões empresariais. Quando as expectativas pioram, empresas podem adiar investimentos, reduzir contratações e adotar uma postura mais conservadora.
Mercado de trabalho ainda sustenta a economia
Apesar dos sinais de desaceleração, o mercado de trabalho continua oferecendo suporte à atividade econômica.
A taxa de desemprego está em 5,4%, enquanto a população ocupada alcança 103,1 milhões de pessoas. O comércio varejista também mantém desempenho positivo, com crescimento de 2,9% em junho na comparação anual. Supermercados, medicamentos e bens duráveis contribuíram para esse resultado.
Esse quadro ajuda a sustentar o consumo das famílias e evita uma perda mais intensa de atividade. Ainda assim, o elevado comprometimento da renda e o custo do crédito podem limitar esse impulso nos próximos meses.
Juros e crédito entram no radar
As condições financeiras representam outro ponto de atenção para o segundo semestre.
A análise econômica aponta forte expansão dos estímulos financeiros e do crédito subsidiado. As despesas associadas a essas operações passaram de R$ 95,8 bilhões em 2023 para R$ 281,9 bilhões em 2026.
Esse movimento pode sustentar a atividade no curto prazo. Porém, também aumenta os riscos de pressão sobre a demanda, inflação e custo da dívida pública. Além disso, pode dificultar uma queda mais rápida dos juros.
Para o setor de serviços, esse fator ganha ainda mais importância. Atividades ligadas ao consumo das famílias e à necessidade de financiamento tendem a sentir mais rapidamente os efeitos de juros elevados e crédito restrito.
Segundo semestre deve ter crescimento mais moderado
O conjunto dos indicadores não aponta, neste momento, para uma recessão. O cenário indica uma desaceleração gradual da economia brasileira.
A tendência também cria diferenças dentro do próprio setor de serviços. Tecnologia, telecomunicações, saúde e serviços empresariais especializados apresentam maior capacidade de resistência. Turismo, transporte e atividades relacionadas ao consumo discricionário enfrentam um ambiente mais difícil.
Para Carlos Eduardo Oliveira Jr., os indicadores antecedentes já mostram perda de dinamismo, especialmente nos serviços. A expectativa, portanto, é de continuidade do crescimento, mas em velocidade menor e com maior cautela por parte das empresas.
O que esperar da economia nos próximos meses?
O cenário para o segundo semestre combina fatores positivos e desafios.
De um lado, o mercado de trabalho permanece forte, o consumo ainda cresce e alguns segmentos de serviços apresentam resultados expressivos. De outro, a confiança empresarial caiu, o volume de serviços perdeu velocidade e os juros continuam limitando o crédito e a demanda.
A economia brasileira, portanto, entra em uma fase de crescimento mais moderado. Para as empresas, acompanhar indicadores de demanda, custos, crédito e confiança será fundamental para ajustar investimentos e estratégias ao novo ambiente econômico.
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