A economia não se resume apenas a números frios, gráficos de inflação ou projeções de PIB. Em vez disso, ela é feita de pessoas, trajetórias e barreiras estruturais que moldam as oportunidades de cada indivíduo na sociedade. Com esse mote, o presidente do Sindecon-SP, Carlos Eduardo Oliveira Jr., integrou uma mesa de debate profunda e necessária na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
A roda de conversa, intitulada “Novas Páginas, Novas Possibilidades: uma conversa negra sobre escolhas financeiras e construção de patrimônio a partir de uma perspectiva decolonial”, foi mediada pela economista e escritora Moab Teodosio e contou também com a participação da educadora financeira e escritora Patrícia Marins.
Além da Escolha Individual: O Peso da Estrutura
Um dos eixos centrais do painel desconstruiu o mito de que a exclusão financeira e a falta de patrimônio resultam exclusivamente de falhas individuais ou de falta de esforço pessoal. O debate evidenciou que renda, riqueza, acesso ao crédito e taxas de juros não se distribuem de maneira homogênea.
Historicamente, o sistema financeiro atendeu a determinados recortes sociais. Por causa disso, a população negra e periférica frequentemente precisa se adaptar a um status quo excludente. Discutir finanças a partir de uma ótica decolonial significa inverter essa lógica: questionar quem definiu os parâmetros de riqueza, quais saberes econômicos marginalizaram-se e como construir um mercado financeiro mais inclusivo.
Autonomia Financeira como Projeto de Futuro
Durante o encontro, os palestrantes resgataram a urgência de transmutar a relação com o dinheiro. Embora a sociedade vincule o tema à sobrevivência e à escassez para grande parte da população, a economia precisa atuar como uma ferramenta real de autonomia, segurança e dignidade.
Ter liberdade econômica vai muito além do acúmulo de capital. Afinal, trata-se de ter poder de escolha. O cidadão ganha a capacidade de recusar condições predatórias de trabalho, investir na própria formação, planejar a velhice com tranquilidade e transmitir oportunidades sólidas para as próximas gerações.
O Compromisso do Sindecon-SP
A participação do Sindecon-SP em palcos culturais e literários de grande relevância, como a Bienal do Livro, reforça o compromisso institucional com a pluralidade do pensamento econômico. O debate sobre justiça social, sustentabilidade e desenvolvimento coletivo fomenta a construção de uma economia paulista e brasileira mais forte, moderna e equilibrada.
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