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Publicações > Artigos Desemprego cai com avanço de informais

Por RODOLFO COSTAMAIZA SANTOS

Ainda que lentamente, o mercado de trabalho dá sinais de recuperação. Mesmo com a atividade econômica em ritmo lento, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o pior da crise no emprego começa a ficar para trás. No trimestre de maio a julho, a taxa de desocupação ficou em 12,8%, abaixo do patamar de 13,6% registrado no acumulado dos três meses imediatamente anteriores, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem. No trimestre encerrado em abril, havia 14 milhões de pessoas à procura de emprego. Já entre maio e julho, o número de desocupados continuou elevado, mas recuou para 13,3 milhões.

Os dados mostram ainda que a população ocupadas aumentou 1,6% em relação aos três meses imediatamente anteriores, chegando a 90,7 milhões de pessoas. Na comparação com período semelhante de 2016, a população ocupada teve a primeira alta desde o trimestre encerrado em julho de 2015. Como consequência, a população desocupada registrou queda de 5,1% - a primeira em 11 trimestres consecutivos. É o maior recuo desde outubro de 2013.

Informalidade

O desempenho do mercado de trabalho chamou a atenção do coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. "A força de trabalho cresceu puxada pela ocupação. Isso destoa dos outros meses, principalmente no período do início da crise para cá, em que o movimento avançou pela desocupação", destacou. Mas, embora o cenário seja de alívio, a reação se dá por um aquecimento no mercado informal, que concentra atividades de baixa especialização ou oferece empregos precários.

No trimestre encerrado em julho, a população de empregados sem carteira de trabalho assinada atingiu 10,73 milhões de pessoas. Isso representou um aumento de 468 mil trabalhadores na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Outro grupo que apresentou aumento foi o dos trabalhadores por conta própria. No mesmo período, esse grupo registrou um crescimento de 351 mil autônomos, atingindo um contingente de 22,63 milhões. É uma parcela significativa, que responde por cerca de um quarto da  população ocupada.
 
Encarado pela maioria dos analistas como sinal de piora na qualidade do emprego, o aumento dos informais é visto como sintoma de melhora da economia por outros especialistas. Após dois anos de recessão, com vendas em baixa no comércio, queda nas receitas no setor de serviços e a produção industrial ainda em ritmo lento, as empresas só muito lentamente vão retomar os investimentos e elevar despesas com a contratação formal de mão de obra. A reação costuma vir, primeiro, no grupo de trabalhadores sem carteira de trabalho assinada.

Sobrevivência

O crescimento do número de trabalhadores por conta própria também seria um sintoma disso. Estimulados por um sentimento de melhora da economia e pela necessidade de ganhar alguma renda, os trabalhadores fazem o possível para não ficarem parados, avalia o economista Tiago Cabral Barreira, consultor do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). "Pessoas envolvidas em atividades urbanas, como serviços de alojamento e alimentação, estão virando vendedores ambulantes. Começam a vender bala, comida, pipoca. É o primeiro sinal de alívio na economia", analisou.

Depois que perdeu o emprego de motorista, há seis meses, Rodolfo Alves, 30 anos, resolveu vender açaí para manter o mínimo de renda em casa. A regra, garante, é sobreviver. "Com essa crise, a gente tem que arrumar algum jeito de ganhar dinheiro. A vantagem é que faço meu horário e trabalho do jeito que quero. É um escape, melhor do que estar desempregado", afirmou.

Situação semelhante é vivida por Mariane Sousa Santos, 42. Desempregada desde 2015, quando trabalhava como promotora de vendas, ela tem ganhado a vida com a venda de água, refrigerante e doces na rua. O dinheiro não é muito, mas ajuda a pagar o aluguel e as contas de casa, que divide com quatro irmãs. "Tenho procurado emprego, faço entrevistas, mas falam para esperar. Infelizmente, é o que tem pra hoje. É um trabalho difícil, pois não dá para ficar sossegada, com a fiscalização sempre em cima", lamentou.

 Fonte Correio Braziliense ?



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